Detectar ameaças potenciais pode salvar vidas
Detectar ameaças potenciais pode salvar vidas

Data: 30/11/2015
Categoria: Segurança
Status: Notícia Pública


Descrição:

Se nos acostumarmos a observar as pessoas à nossa volta, poderemos decifrar suas intenções e antecipar suas ações

Falar sobre o aumento da criminalidade no Brasil é lugar comum, pois basta acessarmos a internet ou folhearmos os jornais para termos uma ideia do cenário caótico que estamos vivendo. Conviver com esta realidade já não choca a maioria de nós, pois estamos tão acostumados a ela que sofremos do “mal da rã”. Para quem não sabe, quando atiramos uma rã em uma panela fervendo, ela pula, mas quando a colocamos em água morna e vamos aumentando o fogo lentamente, a rã é cozida e nada percebe. Assim estamos vivendo: o fogo é baixo, mas em contínuo crescimento.

O Mapa da Violência 2013, estudo realizado pelo professor Julio Jacobo Waiselfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, aponta que cerca de 170 mil pessoas foram mortas nos 12 maiores conflitos mundiais, entre 2004 e 2007. No Brasil, mais de 200 mil pessoas perderam a vida somente entre 2008 e 2011. A conclusão é que estamos em guerra, mesmo que não declarada.

Explicar estes números não é fácil, pois são tantos fatores que estão em jogo que precisaríamos de uma matriz para poder enxergar parte do quadro. No entanto, sabemos que alguns fatores são observáveis a olhos nus, tais como a falha na educação, a má distribuição de renda, o crescimento do desemprego, a falência do sistema prisional, a ineficiência das políticas públicas etc.

Cadeias superlotadas são verdadeiras escolas do crime, de sorte a não ser possível a separação dos diversos perfis criminosos, bem como o monitoramento de suas atividades dentro e fora das grades. Os crimes ficam cada vez mais ousados e com grande criatividade, causando surpresa ao cidadão de bem. Há grande variedade de recursos à disposição dos bandidos, tais como diversos tipos de armamento, equipamentos de comunicação e o conhecimento sobre técnicas avançadas de toda sorte de atividades ilegais.

ANTECIPAR-SE AOS RISCOS

Como, nos dias atuais, podemos minimizar os riscos de uma ação criminosa? O conhecimento de técnicas de detecção de ameaças potenciais tornou-se um bem precioso, pois não tê-lo pode custar a própria vida ou mesmo a vida daqueles que amamos. A palavra-chave nesse contexto é “antecipação”.

Segundo o dicionário da língua portuguesa, antecipação é a ação de fazer alguma coisa de antemão: adiantamento, previsão. A antecipação resolve de 70 a 80% dos problemas relacionados à segurança. Então, a primeira coisa a fazer é saber identificar áreas perigosas e os horários, estatisticamente, mais comuns de atuação hostil, para poder evitá-los ou, pelo menos, diminuir o nosso tempo de exposição.

Conhecer o modus operandi dos criminosos ajuda sobremaneira a arte da antecipação. Dois homens andando vagarosamente em uma motocicleta, por exemplo, pode não significar nada, mas não custa procurar abrigo, já que podem ser oportunistas procurando uma vítima desatenta. A decisão de sacar dinheiro em um caixa eletrônico, às 19h, em uma rua ou mesmo avenida silenciosa, pode causar dores de cabeça. Por que não optar por um shopping?

A linguagem não verbal é outro aspecto que pode salvar vidas. Os movimentos corporais e as expressões fisionômicas não mentem. A palavra pode ocultar o que pensamos e sentimos, mas o nosso corpo não. Nossos movimentos involuntários nos entregam, revelando aquilo que não queremos expressar. Deste tipo de linguagem podemos tirar vantagem, desde que conheçamos seus princípios básicos. Assim, se acostumarmos a observar as pessoas à nossa volta, poderemos decifrar suas intenções e antecipar suas ações.

Você sabe o que fazer se sua técnica antecipatória não funcionar? Sabe como lidar com situações de crise em andamento? Este é outro conhecimento valioso. Precisamos controlar nossas emoções, estruturar bem a nossa comunicação e tomar as decisões certas. Reagir, em linhas gerais, não é uma opção, mas podemos conduzir a situação para uma negociação ganha-ganha. O criminoso fica com o seu bem e você com sua vida. Você sabe fazer isso?

Minha intenção com este texto não foi ensinar um método, pois para isso precisaria escrever um manual. Meu desejo foi provocar algumas reflexões, de modo que o leitor interessado faça pesquisas por conta própria e tire suas conclusões.

Texto por Daltro Feil, palestrante, consultor e coach certificado pela International Association of Coaching. Membro e colaborador da Ceas-BRASIL. Diretor técnico da Federação Gaúcha de KRAV MAGA. daltrofeil@gmail.com

 
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